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Mordida infantil: uma fase que passa

  • 25 de Maio de 2020
  • Postado por: admin

Mordida é assunto conhecido em muitos lares e escolas de educação infantil. É uma fase correspondente ao desenvolvimento infantil mais comum entre 2/3 anos de idade, fase esta já descrita por Freud como fase oral do desenvolvimento da personalidade. Nesse período a criança passa a descobrir o mundo por meio da boca. É por meio da boca que a criança ri, chora, começa se expressa verbalmente (desenvolvimento), prova ou rejeita os alimentos.

O ato de morder para a criança pode significar muito mais do que uma reação de raiva. Nessa idade a criança ainda não desenvolveu por completo a comunicação verbal, e o ato de morder pode sim ser uma forma de comunicar emoções, frustrações, desejos e até mesmo demonstração de carinho.

Por que as crianças mordem?

Morder é um tema difícil para os pais, tanto das crianças que mordem como das crianças que são mordidas. Parece ser primitivo, e muitos ainda acreditam que o ato indica vir de uma criança mal educada ou agressiva. O que não é real porque muitas vezes, as crianças mordem quando estão empolgadas ou mesmo felizes. Nesta idade, as crianças agem sem pensar nas consequências. Acredite, quando uma criança morde outra, quem mordeu fica tão surpresa e irritada quanto a que foi mordida. Como ainda não apresentam sua comunicação desenvolvida por completa as crianças utilizem outros meios para se expressar e para se comunicar e a mordida pode ser uma delas sim.

Nessa fase entre dois e três anos, as manifestações corporais são usadas para demonstrar descontentamento, alegria, descobertas, frustrações e emoções.

Podemos citar como exemplo: quando a criança deseja um objeto que está na mão de outro, ela entra em disputa. Como tem urgência em resolver a questão, reage com a parte do corpo que tem mais coordenação, que é a boca, região que usa intensamente desde o nascimento.

Como as crianças aprendem a morder?

A realidade é que as crianças não nascem sabendo morder, assim como não nascem sabendo dar tapas ou puxar o cabelo. Fato! Esses comportamentos são aprendidos com adultos ou crianças mais velhas do ciclo social da família. E muitas vezes ensinam sem se dar conta de que estão fazendo. O que acontece com muita frequência é de adultos fazerem brincadeiras, dizendo “vou morder você, vou apertar sua bochechinha” ou até mesmo “mordidinhas de brincadeira” com muita festa pela criança. A criança assiste a essas formas de comunicação com alegria e festa e entende como forma de comunicar amor ou outras emoções.

O que fazer quando a criança morde?

Quando a criança morde outra criança, é importante sempre a mediação de um adulto, para fazer com que ela reflita sobre o que fez e para que este mostre que há outras maneiras de conseguir o que deseja de forma mais assertiva e sem dor. Pode-se dizer, por exemplo: “se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele” ou “você quer o brinquedo?”, sempre orientando que o amiguinho gosta de carinho, beijos e abraços.

É importante pontuar para a criança que isso machuca e que o amiguinho fica triste com o comportamento dele porque sente dor, por isso chora. E falar que `não pode’ calmamente, mas com firmeza. O adulto deve mostrar à criança que a comunicação por meio da fala é a forma certa de se obter as coisas. O papel do adulto vai ser de mediador dessa linguagem.

A mordida é sempre uma situação difícil para os pais de ambas as crianças. Os pais da criança que mordeu sentem-se envergonhados e não em raras vezes culpados e os pais da criança mordida ficam irritados pelo machucado do filho.

Devemos mediar às relações entre as crianças e seus familiares para minimizar os sentimentos negativos e criar situações para estabelecer limites. A criança mordida deve ser acolhida e incentivada a expressar seu descontentamento, porém nunca deve ser incentivada a revidar com mordidas.

Principalmente educadores uma vez que os episódios de mordidas são bem comuns nas escolinhas, devem observar e estar atentos ao que a criança está comunicando com o ato de morder:

  • é expressão de raiva?
  • é demonstração de carinho?
  • é uma forma de chamar e ter atenção?

Texto escrito pelas psicólogas Malucha Nunes Caetano Pacheco e Vanderléia Tumelero, autoras do livro “O tigrinho Davi, aprendendo a não morder os amiguinhos”

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